quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O Arroio Itaquarinchim: protagonista da História e do desenvolvimento de Santo Ângelo

Cascata do Itaquarinchim em 1921.


Família Albrecht em momento de lazer às margens do Itaquarinchim. Década de 20.

Construção da ponte sobre o Itaquarinchim, na rua Antônio Manoel, saída para a Avenida Sagrada Família na década de 30.


O arroio Itaquarinchim exerceu uma importância estratégica no desenvolvimento de Santo Ângelo ao longo de sua história. Com suas límpidas nascentes junto ao atual distrito de Comandai, o arroio vai crescendo ao longo do caminho e cortando a cidade. Suas águas vão perdendo a transparência ao atingirem a cidade e as árvores que antes tinham as folhas espelhadas em suas águas não repassam essa mesma sorte às casas, pontes e pessoas que fazem parte agora da paisagem urbana do arroio. Teimando em sobreviver, ainda dá pequenos sinais da diversidade da flora e da fauna que o acompanham. Ao mesmo tempo em que divide a cidade, o Itaquarinchim que abriga em suas margens indústrias, bairros e conseqüentemente esgoto e lixo, é ironicamente a fonte para a captação da água que abastece parte de Santo Ângelo.

Seria possível afirmar que a localização da cidade de Santo Ângelo no local em que se encontra nos dias atuais se deve a existência do Itaquarinchim. Santo Ângelo como sabemos, desenvolveu-se primeiramente como o último dos 30 povos missioneiros, sendo fundado no entorno da atual Praça Pinheiro Machado no ano de 1707. Para a fundação de um novo povoado, os padres jesuítas avaliavam diversos critérios que eram essenciais para a frutificação do projeto da Companhia de Jesus. Conforme o Pe. Antônio Sepp em seus escritos intitulados de “Viagem às Missões Jesuíticas e Trabalhos Apostólicos” entre os critérios estavam a qualidade da terra, a luminosidade, a altitude do local e é claro a fartura e a proximidade de águas para o abastecimento do povoado. Levando-se em consideração esse último item, certamente o Arroio Itaquarinchim localizado a algumas centenas de metros do local onde fora a Redução de Santo Ângelo Custódio, deve ter feito a diferença para a implantação do povoado.

Na obra “A Guerra Guaranítica: como os exércitos de Portugal e Espanha destruíram os Sete Povos dos jesuítas e índios guaranis no Rio Grande do Sul”, o historiador Tau Golin reproduz parte do Diário da Expedição e Demarcação da América Meridional e das Campanhas do Rio Uruguai, escritos por José Custódio de Sá e Faria quando das demarcações do Tratado de Madri em 1751. Nessa descrição quando relata a chegada do grupo de oficiais portugueses na Missão de Santo Ângelo, descreve brevemente a passagem pelo Itaquarinchim: “Andamos meia légua, caminho de norte; e, em meia marcha, passamos um arroio de água corrente, com palmo e ½ de alto, e 15 palmos de largo, no qual, para a parte de baixo, tinha uma pequena ponte de paus e tábuas já bastante arruinadas, por onde somente passaram todas as tropas a pé”.

Pela sua proximidade com o povoado o arroio certamente desenvolvia papel fundamental para a população local, tanto na captação de água utilizada nas casas, igreja e oficinas, assim como para bebedouro dos animais, além de ser uma referência geográfica de localização, aspecto importante para uma época desprovida dos meios tecnológicos que possuímos na atualidade.

Após a Guerra Guaranítica e a expulsão dos jesuítas, o processo de repovoamento se daria a partir da segunda metade do século XIX. A ocupação ocorre por descendentes de portugueses e famílias que reutilizam o espaço e os remanescentes arquitetônicos da antiga redução. Nesses primeiros momentos da construção da Vila, o Itaquarinchim servia como ponto de paragem para as tropas de muares, gado e outros animais domésticos. O clima quente de verão e o crescimento da população levariam a descoberta das belezas naturais do arroio como a cascata e sua utilidade para o lazer. Conforme depoimento do Sr. Armindo Braatz, antigo morador e empresário do município no que se refere ao lazer junto ao arroio nos conta o seguinte: “Prosseguindo em seu curso, depois de vencer algumas curvas e ter estreitado seu leito, apertado entre canhadas mais acentuadas, as águas do rio Itaquarinchim em maior velocidade vão despencar-se em formidável cascata, de aproximadamente 10 metros de altura, formando, para quem olha contra ao sol, um arco-íris multi-colorido. Era local muito aprazível, sempre visitado, aos domingos e dias feriados, por grande número de pessoas. Algumas colhendo pitangas e cerejas, outras fisgando algum peixe e crianças brincando a roda viva”.

A cascata do Itaquarinchim hoje localizada na zona urbana da cidade, estava dentro da porção de terras que pertencia ao coronel Bráulio de Oliveira, que foi intendente do município de 1900 à 1916. Na obra “O Rio Grande do Sul”, Alfredo R. da Costa fez um detalhado levantamento da infra-estrutura, recursos, geografia e história dos municípios do estado no ano de 1922. Em seus registros sobre a Santo Ângelo da época encontramos o seguinte trecho:
O Coronel Bráulio possúe, também, uma linda cascata no arroio Itaquaranxim, situada a 1.000 metros distante da villa de Santo Ângelo. Junto à referida cascata, que poderá servir para exploração de qualquer industria, possúe o coronel Bráulio Oliveira um engenho para beneficiar arroz e moinho para milho movido a agua”.

As margens do Itaquarinchim deram lugar desde cedo as instalações de pequenas indústrias. Foi ao longo do arroio que corta a cidade que diferentes empreendimentos se desenvolveram e marcaram diferentes períodos do desenvolvimento econômico de Santo Ângelo. Em 06 de outubro de 1875, pouco mais de dois anos após a emancipação do município, já constava nos documentos da Câmara de Vereadores um pedido de instalação de um cortume, conforme documento do Acervo do Arquivo Histórico Municipal. No referido documento está expresso o seguinte: “Dis Antonio Manoel Ferreira que pretende estabellecer um cortume nos suburbios desta Villa, no lugar que s’acha dessolluto a margem direita do Arroio Ithaquaranxim estremando pelo lado do nascente com Saturnina de tal, e pelo lado do poente aonde de direito fôr, sem prejuiso de terceiros; e como não pode edificar o dito estabellecimento sem pedir a licença de NN.SSª vem por meio desta requerella”.

Em depoimento publicado no jornal A Tribuna Regional de 22 de março de 1997, o senhor Armindo Braatz cita diversas industrias que se desenvolveram ao longo do arroio. Entre elas a do Sr. Mathias José Vier que na década de 30 “construiu à margem direita do rio e à extrema esquerda da rua Tiradentes, um curtume para o fabrico de correias de couro”, acrescenta ainda em seu relato que no local estava instalado “um gigantesco gerador de energia elétrica que fornecia luz às casas dos operários”. Em artigo publicado no mesmo Jornal em 16 de fevereiro do mesmo ano, o senhor Braatz relatava a existência de uma fábrica de gelo de propriedade da família Frey, o gelo era produzido através de um desvio do arroio “que movia uma roda d’água. Esta, por sua vez, transmitia seus movimentos circulares a um conjunto de polias, cujas correias movimentavam as máquinas e equipamentos”. O gelo produzido em grandes barras abastecia a cidade numa época em que não existiam equipamentos elétricos para conservação de alimentos, remédios e outros produtos perecíveis. Nestes relatos o Sr. Braatz cita ainda desse período as seguintes indústrias: Sociedade de Banha Sul Riograndense Ltda, a Companhia Brasileira de Fumo em Folha, Moinho Santo-angelense Ltda e mais tarde, em 1940, a Sociedade Algodoeira Sul-Riograndense e o Curtume Basso. Descreve também empreendimentos mais recentes como a Cooperativa Tritícola de Santo Ângelo e a Fundimisa, que conforme seu entender assim como as demais indústrias se desenvolveram nas imediações do que ele chamava de “vale do rio Itaquarinchim”, já que a água era determinante para a produção das empresas.

Diversas destas empresas, assim como os momentos de lazer no entorno do Itaquarinchim, são hoje imagens de outras épocas, perdidas na memória e no tempo. Os documentos e relatos citados dizem de outros períodos históricos do arroio que é hoje um patrimônio natural local e apenas reafirmam a sua importância para Santo Ângelo. Algumas dessas histórias sobre o rio não são tão distantes, mas se tornaram difíceis de remontar na imaginação, principalmente para a população mais jovem devido às mudanças espaciais e geográficas promovidas pelos enormes e desmedidos avanços populacionais e tecnológicos das últimas décadas e que tem degradado a vida do mesmo. Mas o Itaquarinchim ainda resiste, e mesmo castigado pelos santo-angelenses, continua sendo para esses o que foi o Nilo para os egípcios.

7 comentários:

  1. Olá Eunisia! Estou pesquisando a minha genealogia em torno das famílias do Amaral, Lemos, Fonseca, Rodrigues Fonseca, Queiroz, entre outras das quais vieram as descendências. Tenho registro de que um tio do meu avô "propôs construir a ponte pelo preço de 15:000$000, de madeira de lei (angico, cabriúva e grápia). Isso está registrado no Livro dos Conselhos Municipais de n° 48c. Esse meu parente se chamava-se Valêncio Rodrigues da Fonseca, acho que a primeira construída para dar passo, no itaquarinchim, para os lados do bairro Pippi. Não conheci nem tenho foto desse parente, mas vendo a foto, acho bem provável que uma das pessoas seja ele, pela aparência e característica familiar. Assim, pergunto se é possível identificar as pessoas da foto?
    Por outro lado, ainda a respeito da minha pesquisa, preciso encontrar registros de onde se localizava os ditos "Quarteirões" que dividia o território do então 1° Districto de Santo Ângelo, de 1873 à 1916. Pois tenho registro de que meu tataravô morou e/ou tinha propriedade no 12° e 13° Quarteirão.
    Se puderes me ajudar pode entrar em contato para melhores informações. Jorge Carlos do Amaral, E-mail jorge_amaral25@hotmail.com

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  2. ooooooooooooooooooooooooooooiiiiiiiiiiii

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  3. tudo bem, emmmmm ??????????

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  4. Minha mãe é albrecht por parte de mãe...
    Somos de Campinas, Indaiatuba e Monte Mór.
    Estou desenvolvendo um site que reune alems dos Albrecht, mas tambem os Steffen e os Wolk.
    Gostaria de entrar em contato com vc que sabe sobre essa familia (Albrecht)
    me adicone no msn
    freddywulk01@hotmail.com

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  5. Leonardo ola! gostaria de saber o nome de origem e o significado da palavra itaquarinchim, ou ithaquarinxim ou itaquarichim

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  6. nao existe na internet obrigado!!!

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  7. Oi moro em SANTO ÂNGELO no bairro PIPPI PERTO DO ARROIO ITAQUARINCHIM

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