domingo, 27 de fevereiro de 2011

O ANTIGO CARNAVAL EM SANTO ÂNGELO

Festa popular, o carnaval ocorre em regiões católicas, mas sua origem é obscura. No Brasil, o primeiro carnaval surgiu em 1641, promovido pelo governador Salvador Correia de Sá e Benevides em homenagem ao rei Dom João IV, restaurador do trono de Portugal. Hoje é uma das manifestações mais populares do país e festejado em todo o território nacional.
O carnaval é um conjunto de festividades populares que ocorrem em diversos países e regiões católicas nos dias que antecedem o início da Quaresma, principalmente do domingo da Qüinquagésima à chamada terça-feira gorda. Embora centrado no disfarce, na música, na dança e em gestos, a folia apresenta características distintas nas cidades em que se popularizou.
O termo carnaval é de origem incerta, embora seja encontrado já no latim medieval, como carnem levare ou carnelevarium, palavra dos séculos XI e XII, que significava a véspera da quarta-feira de cinzas, isto é, a hora em que começava a abstinência da carne durante os quarenta dias nos quais, no passado, os católicos eram proibidos pela igreja de comer carne.
A própria origem do carnaval é obscura. É possível que suas raízes se encontrem num festival religioso primitivo, pagão, que homenageava o início do Ano Novo e o ressurgimento da natureza, mas há quem diga que suas primeiras manifestações ocorreram na Roma dos césares, ligadas às famosas saturnálias, de caráter orgíaco. Contudo, o rei Momo é uma das formas de Dionísio — o deus Baco, patrono do vinho e do seu cultivo, e isto faz recuar a origem do carnaval para a Grécia arcaica, para os festejos que honravam a colheita. Sempre uma forma de comemorar, com muita alegria e desenvoltura, os atos de alimentar-se e beber, elementos indispensáveis à vida.
Carnaval no Brasil. Nem um décimo do povo participa hoje ativamente do carnaval— ao contrário do que ocorria em sua época de ouro, do fim do século XIX até a década de 1950. Entretanto, o carnaval brasileiro ainda é considerado um dos melhores do mundo, seja pelos turistas estrangeiros como por boa parte dos brasileiros, principalmente o público jovem que não alcançou a glória do carnaval verdadeiramente popular. Como declarou Luís da Câmara Cascudo, etnólogo, musicólogo e folclorista, "o carnaval de hoje é de desfile, carnaval assistido, paga-se para ver. O carnaval, digamos, de 1922 era compartilhado, dançado, pulado, gritado, catucado. Agora não é mais assim, é para ser visto".
O entrudo, importado dos Açores, foi o precursor das festas de carnaval, trazido pelo colonizador português. Grosseiro, violento, imundo, constituiu a forma mais generalizada de brincar no período colonial e monárquico, mas também a mais popular. Consistia em lançar, sobre os outros foliões, baldes de água, esguichos de bisnagas e limões-de-cheiro (feitos ambos de cera), pó de cal (uma brutalidade, que poderia cegar as pessoas atingidas), vinagre, groselha ou vinho e até outros líquidos que estragavam roupas e sujavam ou tornavam mal-cheirosas as vítimas. Esta estupidez, porém, era tolerada pelo imperador Pedro II e foi praticada com entusiasmo, na Quinta da Boa Vista e em seus jardins, pela chamada nobreza... E foi livre até o aparecimento do lança-perfume, já no século XX, assim como do confete e da serpentina, trazidos da Europa.
O Zé-Pereira. Em todo o Brasil, mas sobretudo no Rio de Janeiro, havia o costume de se prestar homenagem galhofeira a notórios tipos populares de cada cidade ou vila do país durante os festejos de Momo. O mais famoso tipo carioca foi um sapateiro português, chamado José Nogueira de Azevedo Paredes. Segundo o historiador Vieira Fazenda, foi ele o introdutor, em 1846, do hábito de animar a folia ao som de zabumbas e tambores, em passeatas pelas ruas, como se fazia em sua terra. O zé-pereira cresceu de fama no fim do século XIX, quando o ator Vasques elogiou a barulhada encenando a comédia carnavalesca O Zé-Pereira, na qual propagava os versos que o zabumba cantava anualmente: E viva o Zé-Pereira/Pois que a ninguém faz mal./Viva a pagodeira/dos dias de Carnaval! A peça não passava de uma paródia de Les Pompiers de Nanterre, encenada em 1896. No início do século XX, por volta da segunda década, a percussão do zé-pereira cedeu a vez a outros instrumentos como o pandeiro, o tamborim, o reco-reco, a cuíca, o triângulo e as "frigideiras".
O uso de fantasias e máscaras teve, em todo o Brasil, mais de setenta anos de sucesso — de 1870 até início do decênio de 1950. Começou a declinar depois de 1930, quando encareceram os materiais para confeccionar as fantasias — fazendas e ornamentos –, sapatilhas, botinas, quepes, boinas, bonés etc. As roupas de disfarce, ou as fantasias que embelezaram rapazes e moças, foram aos poucos sendo reduzidas ao mais sumário possível, em nome da liberdade de movimentos e da fuga à insolação do período mais quente do ano.
FONTE: Miniweb Cursos e outros.
 Os depoimentos seguintes são do senhor Antônio Rousselet, ressaltamos que mantemos a originalidade dos textos.
CARNAVAIS EM SANTO ÂNGELO E NA REGIÃO SERRA- MISSÕES
Antonio José Rousselet
"Os carnavais no Brasil e no Rio Grande do Sul, que surgiram a partir da década de 1930 eram pautados por 90% de marchas carnavalescas de tom vibrante e entusiasta, notadamente quando surgiu a música “ É de Zé Pereira”, marcha cantada com muita animação. Nossos carnavais no Rio Grande do Sul eram semelhantes aos da Argentina e Uruguai. Realizavam- se nos clubes, muitos animados, com danças de cordões e rodas. Pulava- se muito. As canções eram geralmente marchas. Formavam- se blocos, principalmente dos clubes. Havia “assaltos” de blocos carnavalescos nas casas de famílias, que eram obrigadas a dar uma festa com música.Havia um desfile pelas ruas, redor das praças. Participavam os blocos com carros alegóricos, bandas de músicas, clarins à cavalo. Chamava- se “O Corso”. Fantasias muito bonitas. Para animar os foliões usavam lança perfume, serpentina e confete. Enfeitavam os salões de baile. Usavam máscaras. Durante um mês antes, eram bailes todos os sábados. No fim de semana que antecedia a terça- feira do carnaval eram quatro noites de folia, com matinés, em quase todos os clubes da cidades. Geralmente infantis."
Maria da Conceição Rousselet desfilando no carnaval do Clube 28 de Maio em 1960


CARNAVAL E 1942

“ Nesse ano participamos do carnaval , pertencendo ao bloco de estudantes do Clube gaúcho. Os rapazes com fantasia de Marinheiro. Eram 30 membros, entre rapazes e moças. Participamos dos bailes dos 3 clubes, Comercial, Gaúcho e Clube 28 de Maio. Grande animação dos foliões. Ainda participamos dos assaltos nas casas dos senhores Coronel Sabo e Dr. Gomercindo Medeiros. Todos com grande alegria e entusiasmo. Em todos esses carnavais havia também, aqui, em Cruz Alta o Carnaval de Água, que consistia em banho de duchas e baldes atirados em todos que passavam no desfile e, mesmo nos que passavam pela rua. No sábado seguinte ao fim do carnaval havia o baile do Enterro dos Ossos ( proibido pela igreja, já em plena quaresma.”)
 
CARNAVAIS -1960,1972...1990

"Participamos, alternativamente de muitos carnavais. Os carnavais de 1960 a 1972 foram os mais divertidos. Participamos junto com Alceu Berwanger e Ruth, Eloy Pedrazza, Juarez Feijó e outros casais do bloco do 28 de Maio, do bloco dos Casais. Eram bailes nos três clubes daqui de Santo Ângelo, mais no clube de Ijuí, para onde nos deslocávamos."


“...Oi você aí me dá o dinheiro aí...”

“...Lua, oh lua, querem te passar para traz...”


"Eram as principais músicas que surgiram.Dançavam e pulavam ao som da música nos salões e entorno das mesas. Movidas sempre ao som das músicas e com muito Wisky, cerveja e conhaque. Parece que as pessoas naquelas noites libertavam seu eu do corpo físico... se divertindo muito vivendo num mundo de fantasia."


Seu Antonio Rousselet e sua esposa Maria no carnaval de salão


O senhor Eloir Taborda e sua esposa  Carmen Silvia no carnaval do Clube Comercial. Ano: 1967
O senhor Eloir Taborda  e sua esposa no carnaval do Clube Comercial. Ano:1968

   Carnaval no Clube Gaúcho. Eloir Taborda e sua esposa Carmen Silvia. Década de 70

Agradeço ao Senhor Antonio José Rousselet, ao Senhor Eloir Taborda e a Confreira Vanda Prado pelos seus depoimentos. Certa de ter atingido o objetivo para a concretização da exposição de fotografias antigas de Santo Ângelo.



Um comentário:

  1. Parabéns!! De 1968 em diante participei de muitos carnavais, lembro bem dos últimos blocos e pessoas mencionadas.

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